QUADRINHOS, OS NOVOS VILÕES DAS ESCOLAS

nº 249

Quem acompanhou o noticiário desta terça-feira viu o bafafá que deu uma péssima escolha da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo: utilizar o livro “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol” como material didático para os alunos do ensino fundamental.

O livro é uma coletânea de quadrinhos que abordam o futebol. Até aí, nada demais. O problema é que a obra não foi produzida para o público infantil, trazendo conteúdo sexual e palavrões em suas páginas. Um óbvio erro da equipe que selecionou este material para as criancinhas do 3º ano fundamental das escolas públicas de São Paulo.

Agora o governo paulista – e parte da imprensa – decidiram desancar o livro, retratando-o como o vilão da história. O próprio governador José Serra disse que a obra “é de muito mau gosto”.

Leia mais sobre o assunto no Blog dos Quadrinhos.

Bem, vamos lá. Eu não li o livro. Portanto, não posso fazer juízo da qualidade do seu conteúdo. Mas está muito óbvio aqui que a questão não é se o livro é bom ou ruim. Ele simplesmente não foi feito para crianças! É a mesma coisa que querer alfabetizar as turmas de pré-escola com coletâneas da Milo Manara.

A culpa disso, em parte, é do preconceito que ainda existe com os quadrinhos. “Quadrinhos é coisa pra criança”. Sim, assim como há filmes para crianças, há quadrinhos para crianças. E, assim como há filmes para outros públicos, há quadrinhos para adultos, adolescentes, mulheres, homens…

Me assusta esse erro de foco. Corre-se o risco de afastar os quadrinhos ainda mais um segmento da população que já não se interessa muito pela nona arte. Caramba, custava alguém ter lido o bendito livro antes de soltá-los nas escolas? Partindo desse exemplo, imagina como é que se escolhem os livros de matemática, português e geografia em São Paulo.

Ah, sim, e a tirinha que ilustra esse texto é meio antiga, mas ilustra bem a situação.

0 thoughts on “QUADRINHOS, OS NOVOS VILÕES DAS ESCOLAS

  1. Pois é, a culpa é do governo do estado de SP, que não sabe escolher seu material didático, mas sobra pro pobre do livro. Mais um pouco e eles vão dizer que aqueles exemplares malvados foram se arrastando sozinhos para dentro das escolas.

  2. Humpf! É realmente preocupante… Foi literalmente uma burrada deles e a revista acabou pagando o pato! E pelo que vi não é a primeira vez que estes equivocos do governo acontecem… Acho que essa secretaria de educação precisa se alfabetizar um pouco.

  3. Ih, eu sou professora e vejo cada material errado que vem parar dentro da escola… não sei que critério eles usam para escolher, mandam umas fichas pra gente todo ano para A GENTE escolher livros e outros e depois mandam coisas totalmente diferentes… e rídiculas! Não fica só limitado aos livros para literatura que tem uns mesmo horríveis, parece que o cara pagou um por fora pra entrar na lista e ser mandado pra todo Brasil. Os didáticos então, são piores! A gente escolhe as obras de acordo com o nosso currículo, pela qualidade e vem umas bombas que a gente já não tem nem onde empilhar dentro da escola e quando passa a validade desses entulhos, vira coisa pra recorte e nem pra isso se presta… olha, é fogo ser professor no Brasil mesmo, a gente não tem espaço físico, material descente… é de lascar…

  4. Também sou professora e desisti do Estado – no caso, do Rio.
    Acima de tudo, falta formação contínua pro porfessor. Não temos nem tempo de preparar aula e usar materiais reais – não apenas didáticos e paradidáticos para nossas aulas.
    Falei lá no blog de exemplos de pedagogias de problemas.
    Só que é difícil, mesmo, preparar uma boa aula quando tudo pesa contra o professor.

    Ah, meu pais tinham de tudo na estante e eu preferia às vezes Marta Suplicy à Ilha do Tesouro. Ou os comentários racistas de Emília…

  5. Realmente, é incrível a falta de tudo… de atenção, de responsabilidade, de checagem… Lastimável.

    E na manchete da notícia no incío do jornal no qual vi a respeito do caso, ainda falaram de pornografia no tal livro, coisa que não voltou a se repetir durante a matéria. Pensei até que a matéria seria uma fraca banalização total da arte.

  6. Querida Fificat, o único material decente nesse negócio chamado de “escola”(?) somos nós , os professores. Ih, errei, infelizmente nem isso eu posso falar de meus colegas por que a incompetência reina solta

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